26.3.07
Uma opinião lúcida
Eu nem preciso escrever. Apenas reproduzo a coluna de sábado do Paulo Sant'ana, na Zero Hora. Leiam e opinem:
Ciúme do Pato
Hoje vou falar num assunto no qual tenho pós-graduação: ciúme e inveja.
Os setoristas do Internacional já tinham detectado o fenômeno mas não ousaram denunciá-lo.
Até que o fato veio parar no laboratório de análises de Paulo Roberto Falcão, colunista de Zero Hora e cobra criada em vestiários e concentrações.
E o que Falcão escreveu ontem em Zero Hora? Leiam: "Minha impressão é de que existe uma certa mágoa do grupo em relação às atenções que Pato vem recebendo".
Como é que é? Li bem? A popularidade de Pato provoca mágoa no grupo de outros jogadores colorados? Li bem?
Claro que li bem, não há nada mais lógico na conduta humana que a luz que emane de um dos nossos circunstantes cegue os nossos olhos de ciúme e de inveja. Este processo é intrínseco e inalienável ao ser humano.
***
O ciúme é um sentimento perfeitamente transitável, aceitável e compreensível no meio humano quando ele não é doentio.
O que é o ciúme doentio? É aquele que agride e causa prejuízos ao alvo ou fonte central do sentimento delirante.
E o ciúme contra o Pato detectado pelo Falcão, insuspeito ícone colorado, acabou por osmose atingindo o treinador Abel, estrategicamente solidário ao grupo, jogando Pato no poço escuro da reserva.
Não há explicação plausível para que se atire um jogador de tal luminosidade na furna amassante do banco e da reserva.
Esse erro gigantesco só pode ter origem no terreno pantanoso das idiossincrasias.
Quem é jacaré curtido nas tramas e armadilhas do charco das relações humanas sabe que o ciúme e a inveja são diários e incessantes sobre as pessoas que mais se destacam.
Evidentemente que há um trauma nas Lojas do Inter, onde não têm aceitação as camisetas com outros números e se esgotam todos os dias as camisetas 11 de Pato.
É muito claro que causa pânico que ontem tenha chegado a Porto Alegre um correspondente da Gazzetta dello Sport italiana para entrevistar somente Pato.
E por todos os lugares onde vai o Internacional, aeroportos e estádios, uma pequena multidão de jornalistas e de público torcedor cerca Pato, ficando isolados lá num canto os outros jogadores e o treinador.
Isto, em qualquer grupo, no quartel, na funilaria, no jornalismo, em todo lugar onde corusque faiscante uma estrela de fulgor superior ao lume das outras da constelação, provoca uma reação comunitária que, se não for administrada, redunda em ciúme desastroso.
***
É um menino Pato, uma criança. Não merece que o ciúme deixe rastros de dano irreparável em sua personalidade.
Deixem-no jogar. Soltem as rédeas do seu talento pelos campos brasileiros e internacionais, que feio embuçalarem seu gênio na senzala humilhante e inexplicável da reserva.
Contenham o ciúme, diante de um astro de tal magnitude o único gesto de grandeza é aderir a ele pela admiração.
E pela felicidade e honra de tê-lo na mesma trincheira.
Alguém precisa fazer desmoronar esta conspiração.
Paulo Sant'ana
Ciúme do Pato
Hoje vou falar num assunto no qual tenho pós-graduação: ciúme e inveja.
Os setoristas do Internacional já tinham detectado o fenômeno mas não ousaram denunciá-lo.
Até que o fato veio parar no laboratório de análises de Paulo Roberto Falcão, colunista de Zero Hora e cobra criada em vestiários e concentrações.
E o que Falcão escreveu ontem em Zero Hora? Leiam: "Minha impressão é de que existe uma certa mágoa do grupo em relação às atenções que Pato vem recebendo".
Como é que é? Li bem? A popularidade de Pato provoca mágoa no grupo de outros jogadores colorados? Li bem?
Claro que li bem, não há nada mais lógico na conduta humana que a luz que emane de um dos nossos circunstantes cegue os nossos olhos de ciúme e de inveja. Este processo é intrínseco e inalienável ao ser humano.
***
O ciúme é um sentimento perfeitamente transitável, aceitável e compreensível no meio humano quando ele não é doentio.
O que é o ciúme doentio? É aquele que agride e causa prejuízos ao alvo ou fonte central do sentimento delirante.
E o ciúme contra o Pato detectado pelo Falcão, insuspeito ícone colorado, acabou por osmose atingindo o treinador Abel, estrategicamente solidário ao grupo, jogando Pato no poço escuro da reserva.
Não há explicação plausível para que se atire um jogador de tal luminosidade na furna amassante do banco e da reserva.
Esse erro gigantesco só pode ter origem no terreno pantanoso das idiossincrasias.
Quem é jacaré curtido nas tramas e armadilhas do charco das relações humanas sabe que o ciúme e a inveja são diários e incessantes sobre as pessoas que mais se destacam.
Evidentemente que há um trauma nas Lojas do Inter, onde não têm aceitação as camisetas com outros números e se esgotam todos os dias as camisetas 11 de Pato.
É muito claro que causa pânico que ontem tenha chegado a Porto Alegre um correspondente da Gazzetta dello Sport italiana para entrevistar somente Pato.
E por todos os lugares onde vai o Internacional, aeroportos e estádios, uma pequena multidão de jornalistas e de público torcedor cerca Pato, ficando isolados lá num canto os outros jogadores e o treinador.
Isto, em qualquer grupo, no quartel, na funilaria, no jornalismo, em todo lugar onde corusque faiscante uma estrela de fulgor superior ao lume das outras da constelação, provoca uma reação comunitária que, se não for administrada, redunda em ciúme desastroso.
***
É um menino Pato, uma criança. Não merece que o ciúme deixe rastros de dano irreparável em sua personalidade.
Deixem-no jogar. Soltem as rédeas do seu talento pelos campos brasileiros e internacionais, que feio embuçalarem seu gênio na senzala humilhante e inexplicável da reserva.
Contenham o ciúme, diante de um astro de tal magnitude o único gesto de grandeza é aderir a ele pela admiração.
E pela felicidade e honra de tê-lo na mesma trincheira.
Alguém precisa fazer desmoronar esta conspiração.
Paulo Sant'ana


